Intolerância Religiosa

Num continente erguido sobre a repressão violenta contra as crenças africanas e dos povos originários, não surpreende que manifestações culturais e religiosas ligadas a essas raízes ainda enfrentem preconceitos. No tocante entre futebol e religião, ritualidades que marcam a sociedade de forma tão pujante, não é diferente.

Por um lado, o futebol admite a existência de liberdade religiosa. Por outro, pode reforçar estereótipos que envolvem as religiões de matriz africana e de seus orixás às noções de mandinga e mágica. O uso de sal grosso para limpeza espiritual em fases difíceis, de amuletos, banhos de ervas e pipoca são exemplos. No entanto, quando a manifestação da fé é genuína, o racismo religioso pode se revelar, abandonar o tom folclórico e se materializar em violência.

Tentativas de demonizar essas expressões fazem parte do histórico de um processo brutal de substituição das crenças dos povos originários e das pessoas escravizadas trazidas forçadamente da África. No futebol, casos de proselitismo religioso não são incomuns. Orações coletivas, camisas, faixas, declarações e até a contratação de religiosos são expressões comuns dessa prática.

A intolerância religiosa é parte, muitas vezes, de um contexto discriminatório de origem racista. Mas cada caso é um caso, com nuances locais. O atacante egípcio muçulmano Mohamed Salah, por exemplo, tem levantado debates importantes sobre a intolerância religiosa na Inglaterra.

Para combater o cenário, é essencial promover uma cultura de respeito à diversidade religiosa, em que a manifestação da fé seja uma escolha livre e não um padrão imposto.