Violências de Gênero

Violências motivadas por expectativas sociais, culturais ou normativas sobre gênero e sexualidade fazem parte dos ambientes do esporte. A ideia compartilhada de uma masculinidade hegemônica no futebol se conecta ao sexismo e à imposição de papéis e hierarquias, dentro e fora de campo.

Expressão das desigualdades de gênero no esporte, o futebol feminino, proibido no Brasil até 1979, ainda enfrenta o preconceito e a herança de um ambiente marcado pela exclusão e pela misoginia.

Pessoas LGBTQIA+ também são alvo constante de preconceito. Ele faz parte de uma estrutura que marginaliza a diversidade e mantém o esporte como território hostil para corpos dissidentes da cis-hetero-normatividade.

Para torcedores LGBTQIA+, a violência pode estar na cadeira ao lado. Muitos tornam-se alvos de suas próprias torcidas. Cânticos homofóbicos são comuns, com termos pejorativos usados como ofensa, desqualificação e humilhação.

A recusa ao número 24 nas camisas se tornou símbolo do preconceito velado. Tradicionalmente evitado em razão da associação ao veado no Jogo do Bicho, a objeção reforça estigmas homofóbicos e perpetua o tabu.

E os jogadores LGBTQIA+, onde estão? Atletas receiam a rejeição da torcida, companheiros, imprensa e patrocinadores. A quase inexistência de jogadores de times masculinos que se assumem como LGBTQIA+ revela um cenário de repressão e medo.

Apesar do preconceito, da impunidade e até da criminalização em partes do mundo, existem lindas iniciativas. A Coligay, torcida organizada do Grêmio nos anos 1970, e o Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, de 2019, são marcos para a pluralidade.