Racismo

Embora tenha se transformado num espaço popular de celebração e pertencimento, o futebol reflete as estruturas de preconceito presentes na sociedade. O campo e seus arredores não estão isolados. Eles reproduzem as discriminações que já marcam a vida de milhões de pessoas. Mas também são espaços de resistência.

Nos últimos anos, o entorno do futebol tem presenciado gestos, insultos, arremessos de objetos com conotação discriminatória e cânticos que expressam a inferiorização de raça, origem e cor. Racismo e injúria racial, na mais fria letra da lei. Tratar esses casos como episódios isolados, frutos de “exagero” das torcidas ou de “reações passionais”, é ignorar o racismo estrutural que atravessa a história do esporte.

Da proibição a jogadores negros na própria seleção brasileira, há pouco mais de 100 anos, o preconceito racial segue presente e não está restrito às ofensas verbais. Ele se expressa também na sub-representação de pessoas negras em cargos de liderança, na cobertura midiática desigual e nas barreiras que atletas enfrentam em suas trajetórias. Fingir neutralidade é perpetuar a exclusão.

Cada vez mais clubes, torcedores, federações, jornalistas, atletas e instituições têm assumido um papel ativo nesse combate. Não apenas evidenciando casos graves, mas criando ações afirmativas, gerando campanhas educativas e pressionando por punições efetivas. Um exemplo é o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, criado em 2014.

O futebol tem um imenso potencial de transformação social. Usá-lo para construir ambientes mais diversos e acolhedores é uma responsabilidade de todos.