Memória do Holocausto e Pioneirismo no Brasil
Desde 2012, o Sport Club Corinthians Paulista optou por deixar de exibir estrelas em seu escudo, destacando que ele é mais importante do que qualquer título. Sete anos depois, o clube abriu uma exceção. Por um jogo, uma estrela de David amarela foi usada em suas camisas. O objetivo era marcar o aniversário da Noite dos Cristais (1938), quando tropas nazistas e parte da população realizaram assassinatos, incêndios e prisões contra judeus na Alemanha nazista.
A campanha “Uma estrela para não esquecer” foi idealizada pela agência Tech & Soul, em parceria com o Memorial do Holocausto de São Paulo. Uma ação pioneira e de grande visibilidade que mesclou o futebol e a memória da Shoá, unindo forças para transformar o jogo em plataforma de educação histórica. Uma iniciativa que utilizou o poder simbólico do esporte em benefício da construção da memória universal da tragédia.
Após a partida, as camisas foram leiloadas e uma exposição temporária foi mantida no átrio da Neo Química Arena, em São Paulo. A repercussão foi internacional. O Ministério da Cultura de Israel enviou uma carta destacando o “exemplo inspirador” e como o esporte “pode e deve gerar união e solidariedade”. A campanha foi reconhecida e premiada dentro e fora do Brasil.
Em 2018, o Corinthians já havia prestado homenagens às onze vítimas fatais do maior ataque antissemita da história dos Estados Unidos. Os jogadores entraram em campo numa partida com os nomes dos judeus vitimados no atentado terrorista à sinagoga de Pittsburgh. Uma das camisas estampava o nome de Rose Mallinger, de 97 anos, que havia sobrevivido ao Holocausto.