Texto Curatorial

Coordenador-Geral do Museu do Holocausto de Curitiba

Museus podem ser atores sociais e agentes de transformação, espaços vivos de diálogo e de mobilização. Embora sejamos instrumentos de mudança, existem fenômenos culturais capazes de mobilizar ainda mais e inspirar em grande escala. Caso do futebol. Eis que unimos forças e nosso potencial de alcance coletivo, simbólico e afetivo.

A exposição CAMISAS CONTRA O ÓD10, idealizada pelo Museu do Holocausto de Curitiba, apresenta uma coleção inédita de 36 camisas de seleções e clubes de futebol brasileiros e internacionais que, nos últimos anos, se engajaram em causas fundamentais. As peças testemunham o papel transformador do esporte, estampando mensagens que rememoram o Holocausto e repudiam o antissemitismo, o racismo, as violências de gênero, a intolerância religiosa, o terrorismo e as guerras. Elas revelam como o futebol pode ser, assim como o Museu do Holocausto, um campo de resistência e diversidade.

O corte no “OD” da palavra “ÓDIO” é estratégico. Assim como no futebol, onde um corte é uma ação decisiva para interromper o ataque adversário, o corte no logotipo mostra a necessidade de extirpar o ódio. Já o “IO” se transforma em “10”, reconhecido como o número de grandes atletas e associado à habilidade, liderança e espírito de equipe.

Ao trazer dos gramados temas associados à defesa dos direitos humanos, unimos a força popular do futebol a uma reflexão crítica e urgente, combatendo a naturalização da violência e da exclusão. Essa articulação entre cultura esportiva e responsabilidade social torna a mostra um marco no uso da memória como ferramenta de combate aos ódios contemporâneos.

Com caráter itinerante e acessível, CAMISAS CONTRA O ÓD10 convida públicos variados a repensarem seu papel na construção e na aceitação de uma sociedade mais plural. Ao reunir em um mesmo espaço a paixão pelo futebol e a luta por direitos, transformamos cada camisa em um gesto de resistência e cada visitante em um potencial aliado na defesa da memória, da tolerância e da empatia. O ódio não joga no nosso time.

Carlos Reiss

Coordenador-Geral do Museu do Holocausto de Curitiba | Curador